17 de fevereiro de 2010

Quem és tu

Quem és tu
Que te fechas no silêncio aflito
Que faz tremer os mortais
Quem és tu
Que te escondes no largo em gritos
E não sabes chorar
Quem és tu
Que caminhas só
Que não tens sossego
Quem és tu
Que respiras em fúria
Que não amas, não constróis, não pensas
Senão na sobrevivência dos teus demónios
Quem és tu
Que todas as noites olhas o crucifixo
Em amarguras vazias
Quem és tu
Que quanto mais te afastas
Mais sinto a tua falta

4 de fevereiro de 2010

No dia em que eu morrer

No dia em que eu morrer, mãe,
Não me traga rosas
Não traga o luto ou lágrimas

Traga o cantar da poesia
O nó na garganta, talvez
E um silêncio tão forte
Para ouvir um violino a tocar a sós

Quando ao entardecer chegar ao cemitério,
O coveiro já a cuspir nas mãos,
Elogie a vida com os cravos de liberdade
E solte um cavalo, mãe,
Deixe-o, por mim, correr como um louco.

No dia em que eu morrer, mãe,
Tire um tempo para se sentar ao relento da noite,
E sinta o vento, também já meu,
Como entendimento.